Entrevista da Semana | Um tour pela Garagem da Accenture

InovaçãoInvestigaçãoMobilidadeSoftwareVestíveis
0 61 Sem Comentários

A BITmag visitou o centro de inovação da Accenture em São Paulo, criado para abrigar o recém formado time de 12 pessoas dedicadas à inovação na empresa. É um laboratório com soluções reais de tecnologias emergentes, onde os executivos da empresa “metem a mão na massa”.

Mais do que pensar a inovação, a Accenture resolveu criar um espaço para “meter a mão na massa” e dedicar mais do que apenas o tempo livre de seus executivos para o desenvolvimento de ideias inovadoras: a Garagem da Accenture.

>Na visita da BITmag à Garagem da Accenture em São Paulo, Roberto Frossard, líder do time de Inovação e especialista em computação in-memory da empresa, lembrou a iniciativa começou há três anos, quando o time brasileiro da Accenture comprou o então recém-lançado Google Glass para integrá-lo ao SAP HANA. “Tínhamos iniciativas, mas só dedicávamos nosso tempo livre para realizar workshops de inovação e desenvolver soluções para alavancar o SAP tradicional para aplicações simples de logística integradas ao Google Glass ou com beacons de equipamentos para automação de descarregamento de mercadorias, por exemplo”, lembra Frossard.

E no processo de ajudar empresas em sua jornada de transformação digital, a Accenture entendeu que ela própria precisava passar por uma transformação interna, colocando a inovação como peça-chave em sua estratégia.

Assim, a empresa montou formalmente em 2016 um time de 12 pessoas dedicadas à inovação e construiu para ele um espaço de colaboração em sua sede em São Paulo, chamado de Garagem da Accenture.

“É quase uma startup dentro da Accenture. Temos executivos de inteligência artificial (AI), visão computacional, machine learning, logística, arquitetura, realidade aumentada e realidade virtual. E a garagem está integrada virtualmente com nosso delivery center de TI em Recife, que sediará um novo innovation center”, conta o executivo. Atualmente o delivery center de Recife concentra 200 pessoas, mas a estimativa é de que este número chegue a 2.500 com a construção do novo Innovation Center.

A Garagem da Accenture, com maquete do Market Place com soluções de logística com imagens ao vivo ao fundo do time de inovação em Recife.
A Garagem da Accenture, com maquete do Market Place com soluções de logística com imagens ao vivo ao fundo do time de inovação em Recife.

São muitas as soluções já desenvolvidas pelo time de inovação da Accenture.

Ainda em 2013 a empresa desenvolveu um novo sistema de supply chain para a Mercedes-Benz com base em tecnologias emergentes numa visão end-to-end. “A Mercedes-Bens tinha um problema de gestão de pátio e o projeto de market place que apresentamos incluía o uso de RFID nas cargas dos caminhões, empilhadeiras autônomas, reposição de caixas com sensores de ultrassom, vídeo analítico para identificar docas livres, reconhecimento das placas dos caminhões utilizando as próprias câmeras de segurança já instaladas no pátio para identificar motoristas e ainda o conceito de gamification para incentivar motoristas a chegarem mais rápido com raking de avaliação que se convertia em mais comissões e benefícios”, explica. Tudo isso integrando com interface HPC da SAP.

Outro exemplo é o Flying Hana, um drone equipado com câmera e dotado de AI com visão computacional e machine learning. Ele traduz imagens em informação, aprendeu padrões e através de ultrassom integrado à câmera pode identificar efeito corona em redes de transmissão elétrica ao sobrevoá-las. A solução foi desenvolvida em apenas 3,5 semanas e é capaz de identificar superaquecimento da rede de transmissão elétrica e fazer agendamento de manutenção, entregando para os engenheiros da companhia de transmissão um relatório com imagens para a tomada de decisão.

Na área de saúde, o time da Accenture desenvolveu um wearable com app premiado para fisioterapia em pacientes amputados. Trata-se de uma pulseira com sensores em placas de metal que mede a corrente elétrica no músculo e através de um jogo de realidade virtual regata a memória motora do membro amputado. “Estamos afinando a aplicação com experts médicos e fisioterapeutas para, posteriormente, patentearmos e doarmos o wearable a instituições que cuidam de pacientes com membros amputados”, revela.

Frossard revela que a Accenture já tem três clientes de utilities no Brasil usando drones, mas sua aplicação é limitada por conta da regulamentação preliminar restritiva da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Já temos clientes na Europa, como agências espaciais, que utilizam drones com células fotovoltaicas que lhes dão autonomia de 49 horas. Eles fazem a capitação de imagens e, se os clientes assim desejarem, podem até fazer o processamento de imagens em tempo real”, diz, salientando, no entanto, que tamanha demanda de processamento gera um maior consumo de energia e reduz, por consequência, a autonomia dos drones.

No Brasil, esses drones podem ser utilizados para a agricultura de precisão, com processamento de vídeo em tempo real integrados com software da Embrapa e outras soluções como tratores equipados com câmeras. “Aqui na Accenture, tivemos até de começar a entender um pouco de espectrometria para compreender o solo, a saúde das plantas.

Agora, a Accenture trabalha no desenvolvimento de um ecossistema que compreenda além de empresas e fornecedores de tecnologia, também escolas técnicas e universidades. “Estamos discutindo agora como tornar formal parcerias para o Open Innovation, parte do programa global de inovação da Accenture”, conta o executivo. Criamos um conselho de inovação com executivos de várias áreas para criar mais sinergias para educação corporativa, startups internas na própria Accenture a partir de ideias de nossos funcionários, com funding de 6 meses, aplicações para o varejo, transporte, saúde e educação. Estamos levando a Accenture a um patamar diferente. Estamos vivendo a inovação e tentando nos adaptara aos millennials e aos desafios da transformação digital”.


Clique para ler a bio do autor  Clique para fechar a bio do autor