CIO brasileiros priorizam gestão de custos, diz Deloitte

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A pesquisa CIO Global 2016-2017, realizada pela Deloitte em 48 países, revelou uma diferença entre as tendências mundiais e os gestores tecnológicos no Brasil. Enquanto a conclusão geral do estudo é de que houve uma mudança nas prioridades de desenvolvimento de negócios das áreas de TI, do item “desempenho do negócio” para “foco nos clientes”, os CIO brasileiros continuam priorizando a gestão de custos.

No global, 57% dos CIO apontaram a clientela como principal elemento de atenção de sua gestão, 12 pontos percentuais acima dos 45% indicados na pesquisa anterior. E embora no Brasil também se verifique essa tendência, ainda há diferenças em relação à assertividade da evolução nesse sentido. O cliente aparece apenas na terceira posição entre as prioridades dos líderes de tecnologia brasileiros. Os entrevistados do Brasil estão mais preocupados com a gestão de custos, já que este foi o item a ser priorizado mais citado por eles, com 60% das referências, seguido por crescimento (55%) e clientes (51%).

Essa predominância, diz a Deloitte, é reflexo de uma tradição local de cobrança diária para que os CIO brasileiros dediquem mais tempo à operação. Contudo, esse relacionamento não reflete o desejo dos líderes de tecnologia e quase 50% entendem a necessidade de adaptação de seu padrão à medida que a empresa se desenvolve em termos de tecnologia.

Mudanças no comportamento do CIO

A pesquisa mostrou também que o Brasil acompanha a tendência global no que diz respeito às competências pessoais e profissionais dos CIO. Em ambas as amostras, os líderes de tecnologia apresentaram características semelhantes no que diz respeito a conhecimento, tendência a se expressar melhor por meio de números do que com palavras, tolerância a riscos, objetividade, relações profissionais e facilidade de adaptação a novos negócios.

As mudanças no comportamento dos líderes de tecnologia são direcionadas tanto por aspectos geracionais – com os mais jovens tendo uma tendência por maior expressividade e interação –, quanto pela necessidade atual das áreas de negócio por processos de tomada de decisões mais rápidos e por maior capacidade de adaptação às mudanças.

Além disso, os líderes de tecnologia brasileiros de hoje entendem a necessidade de objetividade e são mais suscetíveis a novas tecnologias, o que encoraja a sinergia com as áreas de negócio e propicia a interação necessária para a transformação da organização e de seu core business por meio da tecnologia.

Assim como o padrão mundial, em termos de liderança, o foco está em relacionamento e talento, e não na execução de atividades ou projetos. Os líderes brasileiros prezam tanto pela interação e comunicação, quanto pela compreensão das mudanças e inovações alinhadas à cultura de alta performance, deixando cada vez mais distante o modelo tradicional. Considerando esses pontos, os dados da pesquisa apontam para a compreensão de que, cada vez mais, os CIO estão evoluindo para uma posição mais estratégica na organização, e não mais apenas de entrega de serviços e soluções.

No que diz respeito às capacidades esperadas de TI, o grande foco dos líderes brasileiros se dá na inovação, com a adoção de novas tecnologias para o negócio e a melhoria de processos já existentes. Apesar do grande destaque em inovação e renovação, existe uma grande preocupação com a manutenção dos sistemas atuais – reflexo do próprio nível de maturidade tecnológica das organizações brasileiras e dos entraves pragmáticos no trabalho cotidiano do CIO.

Novas habilidades para maiores expectativas 

Nesse contexto, se faz necessário realizar trabalhos específicos de base para eliminar a ineficiência em diversas áreas das organizações. Como consequência, cada vez mais, será possível que as empresas aumentem o foco em seus clientes.

A construção de novas plataformas é uma das bases para a otimização dos custos. No entanto, somente 11% dos respondentes do Brasil mantêm foco nesta capacidade. Já a maioria dos CIO da amostra global entende que a criação de novas plataformas como forma de diminuição de custos e interação com o cliente é prioridade absoluta, para 59% dos respondentes. Embora o conjunto de ações esteja alinhado com a tendência global, o foco e a intensidade devem ser revistos nas organizações brasileiras.

Adicionalmente, assim como no resultado geral, o Brasil entende que o alinhamento estratégico entre as ações de TI e os negócios (79% dos respondentes brasileiros) é essencial para o sucesso da organização. Esta é uma grande oportunidade para que os CIOs colaborem com a estratégia organizacional e direcionem o caminho da tecnologia em suas organizações.

Os líderes do Brasil tendem a relacionar a era digital a tecnologias de interface com os clientes e ferramentas “front-end”.

“Esses recursos são importantes, mas são apenas parte da grande transformação que a era digital pode trazer. O conceito de transformação digital é específico para cada indústria e segmento, e tem que ser conhecido pelos CIO de maneira mais ampla, uma vez que impacta todas as pontas do negócio da organização”, explica Fábio Pereira, diretor de Technology Strategy & Architecture da Deloitte Brasil.

“Os CIO, de modo geral, são os mais indicados a estudar a fundo as questões digitais e as novas metodologias e ferramentas que estão surgindo para entender a sua real aplicabilidade”, acrescenta o executivo.

Apesar da intenção das empresas brasileiras de evoluir para a era digital, mais da metade dos respondentes entende como baixo o investimento nesta frente e não encontram as devidas habilidades disponíveis nos integrantes de suas equipes. Essa também é uma tendência indicada pela amostra global.

Entender o momento digital

O Brasil apresenta grande potencial para estimular de maneira mais efetiva a transformação digital nas organizações. O interesse dos CIO brasileiros por novas tecnologias, como digital, analytics e cloud computing é crescente, sendo estes três considerados os segmentos de maior impacto para o negócio nos próximos dois anos, bem como os que receberão mais investimentos no mesmo período.

“Esse resultado indica que o líder de tecnologia do Brasil está se preparando para o impacto que a nova onda digital irá trazer para as organizações, e tem procurado compreender cada vez mais o atual momento digital de negócio e o papel central que sua posição exige”, conclui Fábio Pereira.


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