WWF-Brasil utiliza drones para monitorar botos na Amazônia

Inovação

O WWF-Brasil, o Instituto Mamirauá e a Conservation Drones realizaram um projeto de monitoramento de botos na Amazônia com o uso de drones. As organizações transformaram a expedição em uma websérie, “Expedição Ecodrones – Botos da Amazônia” que está agora sendo disponibilizada na internet. Tecnologia de ponta, uma rica biodiversidade, a imensidão da maior floresta tropical do mundo são o enredo da série.

A expedição, que faz parte do projeto Ecodrones Brasil, foi realizada de forma inédita no final de 2016. A proposta foi testar e aprimorar técnicas e metodologias para a utilização de drones em pesquisas científicas e utilizá-los para otimizar atividades de campo que exigem grande esforço da equipe e alto investimento de recursos. Ao todo, a viagem percorreu 400 km pelo Rio Juruá, próximo ao município de Tefé, no Amazonas, em oito dias, e avistou 791 botos.

“Queremos que as pessoas acompanhem os desafios, as surpresas e as belezas naturais que vivenciamos durante essa expedição”, afirma Marcelo Oliveira, especialista de conservação do programa Amazônia do WWF-Brasil. “Ficamos muito satisfeitos com o resultado e esperamos que isso possa chamar a atenção para a importância do uso de tecnologias em prol da conservação”, conta.

Segundo ele, o projeto inova em ser o primeiro a utilizar a tecnologia para monitoramento populacional de botos. “É a primeira vez no mundo que um trabalho como esse é feito com mamíferos aquáticos em rios amazônicos. Já houve registro de comportamento de botos. Mas um censo, ou densidade populacional, nunca foi feito”, relatou.

De acordo com Miriam Marmontel, pesquisadora do Instituto Mamirauá – unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações – a proposta foi testar uma metodologia que possibilite a coleta de dados por meio dos vídeos gravados por drones. Após a comparação das informações dos vídeos com as informações registradas pelos pesquisadores, espera-se alcançar um modelo de utilização do drone para a contagem de botos.

A pesquisadora do Instituto Mamirauá e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Daiane da Rosa, disse que foi uma experiência nova para todos e a primeira vez que um grupo fez estimativas de botos no Rio Juruá, das espécies cor-de-rosa (Inia geoffrensis) e tucuxi (Sotalia fluviatilis). “Do Acre até o Solimões, na desembocadura do rio, o Rio Juruá passa por três Reservas Extrativistas (Resex): do Alto, do Médio e do Baixo Juruá. Com essa pesquisa, nós conseguimos contemplar quase completamente a do Baixo Juruá. Por mais que se trate de uma Resex em terra, nós sabemos que o rio acaba sendo uma zona de amortecimento dessas reservas, então por isso a importância de estudar também a fauna do rio”, afirma.

Os vídeos serão disponibilizados nas redes sociais das organizações e também no site dedicado.


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