5 pontos em que o e-commerce precisa evoluir no Brasil

E-commercee-Marketing
0 1 Sem Comentários

Não dá para dizer que o e-commerce brasileiro vai mal. Mesmo com a crise financeira que atinge o país há alguns anos, prejudicando alguns dos mais sólidos setores da economia nacional, o comércio eletrônico mantém-se com boas perspectivas. Segundo a Abcomm (Associação Brasileira de Comércio Eletrônico), o varejo online deve manter o crescimento de dois dígitos nos próximos anos.

Porém, nada é tão bom que não possa ser melhorado. Quando olhamos, por exemplo, para as economias maduras, como a europeia ou a americana, percebemos que existem alguns pontos estratégicos que merecem mais atenção. À medida em que esses fatores forem sendo melhorados e ajustados, o comércio eletrônico brasileiro tenderá a receber novos investimentos e crescer ainda mais.

Dentre as melhorias possíveis, acredito que cinco pontos são fundamentais para o progresso do setor. Alguns fatores dependem do contexto “macro” do país, ou seja, de questões puramente infra-estruturais. Já outros estão diretamente ligados ao comportamento do empreendedor e às formas com que ele lida (ou pode vir a lidar) com o mercado.

Confira quais são eles:

1) Logística

Essa é uma das questões mais importantes para o empreendedor que tem um e-commerce e precisa entregar produtos com rapidez, além de cativar clientes todos os dias. O primeiro ponto óbvio: se comparado aos EUA, por exemplo, o Brasil possui uma malha (rodoviária, ferroviária e hidroviária) que poderia ser muito maior e mais eficiente.

Em primeiro lugar, isso acontece pelo baixo estímulo dado ao crescimento do setor logístico no país. Depois, obviamente, podemos citar um fator que dificulta ainda mais as coisas: com 8,5 milhões de km², o Brasil é hoje o 5º maior país do globo em extensão territorial.

Como resultado dessas dificuldades, o empreendedor que passa a vender online logo percebe que suas opções praticamente inexistem. Não é à toa que os Correios vangloriam-se de ser “o parceiro de 9 a cada 10 e-commerces brasileiros”. É claro que existem outras empresas que fornecem o serviço, mas dificilmente elas conseguirão concorrer em preço e eficiência.

Se o que queremos é um comércio eletrônico mais maduro e resiliente, precisamos começar a pensar em desenvolver o setor logístico do país, com a entrada de outras empresas e soluções que agreguem valor e facilitem a vida das partes envolvidas. Até porque já sabemos que a concorrência, quando bem feita, é o único estímulo capaz de baixar custos e aumentar a eficiência de qualquer produto ou serviço.

2) Melhoria no acesso à Internet

Não é preciso raciocinar muito para entender que uma internet democrática e de qualidade impacta diretamente os números do comércio eletrônico em determinado país. No Brasil, ainda há muito a ser melhorado.

Em primeiro lugar, se você acessa as redes sociais rotineiramente, deve ter visto muita gente falando sobre a recente discussão em torno da limitação da internet no país. A própria FecomercioSP manifestou sua preocupação sobre as formas com que uma medida tão drástica como essa poderia impactar o faturamento do mercado. Segundo a instituição, uma navegação mais lenta ou até uma eventual impossibilidade de navegação pode diminuir as vendas do setor.

Além disso, um mercado de e-commerce mais maduro e eficiente só é conquistado com uma população que tenha amplo acesso e familiaridade com o mundo online. O Brasil, apesar de seus mais de 200 milhões de habitantes, apresenta atualmente, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad 2014), somente 54,9% de lares conectados à internet. Há muito trabalho a ser feito.

3) Mais acesso ao cartão de crédito

No comércio eletrônico, nenhuma outra forma de pagamento oferece tanta comodidade ao consumidor quanto o cartão de crédito. Além de não precisar sair de casa para pagar boletos ou efetuar depósitos, o cliente ainda consegue manter o orçamento suavizado através de prestações.

Não é à toa que, segundo números divulgados pela ABECS (Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços) em 2014, 67% das compras pela internet já eram feitas via cartão de crédito. Além disso, 74% dos usuários de cartão afirmam que gastariam menos dinheiro caso a opção não estivesse disponível na hora da compra.

Sem dúvida, os números acima reforçam a seguinte ideia: um maior acesso ao cartão de crédito por parte da população impacta direta e positivamente o faturamento do e-commerce.

Se considerarmos que atualmente, segundo dados divulgados pelo SPC Brasil, cerca de 52 milhões de brasileiros usam o cartão de crédito, existe bastante margem para crescimento.

4) Gerar valor para as pessoas

Quando sou questionado sobre o assunto, observo claramente que um dos principais déficits do comércio eletrônico hoje em dia é o fato de as lojas ainda tentarem “empurrar” produtos para o cliente, sem nenhuma estratégia para isso.

Se você quer ser bem-sucedido no e-commerce, precisa entender, em primeiro lugar, que não é só alugar uma plataforma e cadastrar os produto lá. Quando este é o plano, ninguém compra de você.

Eu gosto de comparar o início de um e-commerce com uma galeria. Quando você começa uma loja virtual, ela é como aquela última loja escura da galeria: totalmente ignorada, as pessoas muitas vezes nem sabem que ela existe. Para sair do “anonimato”, ou você investe rios de dinheiro em marketing e processos, como fazem os grandes players, ou precisa urgentemente começar a gerar valor para o seu público — o que eu chamo de se tornar uma autoridade em seu mercado.

Decidiu que quer trabalhar com um e-commerce de decoração? Então pare de postar somente ofertas e crie um blog (ou mesmo posts nas redes sociais) ensinando as pessoas sobre os “7 passos para decorar apartamentos pequenos da melhor maneira possível”. Sua loja virtual é de produtos eletrônicos? Então invista algum tempo (ou dinheiro) para produzir reviews sobre os produtos. Crie vídeos, apareça na peça de conteúdo, trabalhe com brindes legais, chame a atenção!

Isso gera conexão, gera empatia,e faz o cliente lembrar quem é você.

Pare de tentar vender o tempo todo. Foque em resolver o problema da sua persona.

5) Melhorar o marketing

Apesar de varejo físico e online acontecerem em uma lógica que parece semelhante, as estratégias de marketing utilizadas para um e outro negócio são completamente diferentes.

O problema é que, por ainda ser um negócio considerado “novidade”, uma loja virtual nem sempre tem o seu marketing trabalhado da melhor forma possível — o que acarreta em perda de vendas e desperdício de recursos do empreendedor.

Isso acontece por um motivo simples: um empresário tem uma loja física e, durante anos, investiu somente em panfletos e anúncios na rádio local. Nós sabemos que mudanças são difíceis, não é fácil entender que, para gerir seu “novo” negócio online, ele terá agora que estudar sobre Google Adwords, Facebook Ads, Google Analytics, Email Marketing, ROI…

Um exemplo claro disso são os empreendedores que começam a anunciar com o Adwords (por ser a plataforma mais conhecida do mercado) e simplesmente se esquecem das outras opções, deixando de lado, por exemplo, suas estratégias de SEO (muito importantes para o sucesso da loja virtual a longo prazo).

Na verdade, o marketing, por ser o ponto crucial de qualquer negócio que pretenda continuar em uma onda crescente, precisa ser cuidado com todo carinho e atenção pelo empreendedor ou agência contratada… Dia após dia, testando e aprendendo com os erros.

Ignorando isso, dificilmente as coisas darão certo.

Ao melhorar os cinco pontos citados acima, teremos todas as “armas” necessárias para engatar muitos e muitos anos de crescimento sustentável do e-commerce, sempre buscando desenvolver o mercado e tornando-o cada vez mais sério e profissional.