Evolução na forma de consumir conteúdo de TV requer infraestrutura para acompanhar essa demanda

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Há algumas décadas, rádio e televisão eram as fontes mais relevantes para ter acesso a notícias, novelas, seriados e outros conteúdos, de acordo com o interesse dos espectadores. No entanto, essa dinâmica sofreu diversas alterações e, atualmente, com o aprimoramento da tecnologia, há um novo player no mercado: os serviços de streaming on-line.

Segundo dados divulgados pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), entre dezembro de 2016 e janeiro de 2017, o setor perdeu 105,4 mil assinantes, uma queda de 0,56%. Somente em fevereiro de 2017, 95.161 assinantes deixaram a TV paga, uma queda de 0.51% quando comparado aos dados de Janeiro deste ano. Já nos últimos 12 meses, 382,833 pessoas desistiram de seus pacotes, o que representa uma baixa de 2,02% para o mercado.

Denominado como OTT (Over-The-Top), a ideia traz um novo cenário de evolução, bastante rápida e com provedores focados em reproduzir uma transmissão linear semelhante à TV. Entretanto, a mídia de distribuição de transmissão foi otimizada por muitos anos para fornecer uma experiência confiável, escalável e consistente, seja entregue de forma over-the-air, via satélite ou cabo. A internet é um meio de best-effort e um trabalho de engenharia considerável é necessário para entregar a mesma experiência e sustentar modelos de monetização.

Um dos elementos do fluxo de trabalho de vídeo que tem grande impacto na experiência é o dispositivo do usuário final e o player de vídeo rodando naquele dispositivo. Em uma única hora, a Level 3 identificou 3.325 clientes únicos consumindo conteúdo de vídeo de seu CDN. Mesmo em dispositivos como Roku, com poucas versões de hardware, a Level 3 identificou 32 variantes distintas baseadas em diferentes versões de firmware, cada uma com suas próprias características de performance.

Localização e rede podem causar um impacto na performance tão grande quanto dispositivo de usuários finais e player de vídeo em um dispositivo. Além disso, é importante lembrar que a infraestrutura atual da internet não suportaria audiências com alto número de usuários. Os maiores eventos globais de streaming atraem audiências de cerca de 10 milhões de usuários simultâneos e nós estamos vendo algumas redes de ISP se esforçando para lidar com o pico de usuários. Para ter sucesso na entrega de uma experiência consistente, confiável e sem falhas, é necessário um investimento considerável em infraestrutura e alguma evolução em tecnologias (compressão, transporte, players, etc.) para acompanhar este crescimento.

Não há dúvidas de que isto acontecerá. Há 5 anos, os maiores eventos atraíam apenas 1 milhão de usuários simultâneos e, cinco anos antes disso, vídeo em HD nem era possível para streaming na internet. Percorremos um longo caminho em um período muito curto e não há sinais de que este ritmo de inovação da internet irá diminuir. O desafio hoje é manter a inovação em tecnologia no ritmo adequado para acompanhar o crescimento da demanda.

*José Eduardo Leão de Freitas é diretor de conectividade, mídia e IP da Level 3 Communications Brasil