Mais de 10 milhões de domicílios no Brasil representam demanda reprimida por banda larga

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Uma pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) aponta que até 11,6 milhões de domicílios no País poderiam pagar pelo acesso à banda larga fixa ou móvel (3G ou 4G), mas não têm o serviço disponível nas suas localidades.

No total, 2.245 cidades brasileiras não contam ainda com redes de fibras ópticas. Além disso, dos 68 milhões de domicílios do País, 42% não possuem acesso à internet. Segundo o Ipea, o potencial de acesso, se a banda larga já estivesse disponível em todas as cidades, seria de 45 milhões de casas, um acréscimo de 6 milhões.

Os dados foram divulgado nesta terça-feira (6/06), pelo diretor de Estudos e Políticas Regionais, Urbanas e Ambientais do Instituto, Alexandre Ywata, durante o workshop “Subsídios à Formulação da Estratégia de Universalização do Acesso à Internet”, realizado na Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), em Brasília.

O presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Juarez Quadros, destacou a importância dos resultados apresentados a partir da demanda da sociedade junto à Anatel. “Hoje, todo mundo vem aqui atrás de banda larga. Tem mais, quando é banda larga móvel, é 4G ou mais do que isto”, afirmou.

O presidente do Ipea, Ernesto Lozardo, disse que o Instituto possibilitou à Anatel definir para onde deseja caminhar para a universalização da banda larga, se é nas regiões populosas ou com baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).

Para o conselheiro da Agência, Igor de Freitas, é preciso associar o IDH com outros indicadores para a política de universalização de banda larga. Se usar unicamente o IDH, “vamos ter piores resultado em qualquer objetivo de política estabelecida”. Para ele, o IDH deve ser analisado em conjunto com o tamanho da população do local e a capacidade financeira das famílias para a elaboração de uma política adequada.

Freitas também ressalta que é preciso evitar na banda larga uma situação futura semelhante ao que se encontra atualmente na telefonia fixa: em 3,9 mil localidades com telefonia fixa implantada não há nenhum assinante e em 7,2 mil localidades há, no máximo, 10 usuários do serviço.

O estudo do Ipea dividiu o Brasil em seis grupos desde municípios urbanos com maior renda (São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador, por exemplo), passando por semi-urbanos de Renda Média (Santarém, Marabá e Santa Cruz do Capibaribe), até municípios rurais mais pobres (Cametá, Parintins e Oruicuri), no quais podem ser aplicados modelos distintos de política pública.

O Deputado Federal Vitor Lippi, destacou que “se tivermos um bom planejamento, vamos ter o melhor resultado possível. A questão do Plano Nacional de Internet das Coisas, das cidades inteligentes, industrias 4.0, agricultura de precisão, as escolas, a saúde, tudo passa pela Internet”. No evento também foi apresentado os resultados de uma pesquisa similar a do Acordo Anatel-Ipea realizada pelo pesquisador do Ipea Lucas Mation em conjunto com o Banco Mundial.

Incentivo de uso
Durante o workshop, o afirmou que o trabalho do governo agora é criar políticas públicas de universalização da banda larga para garantir que essa questão seja endereçada.

A prioridade, de acordo com o secretário de Telecomunicações do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), André Borges, é atingir as camadas mais pobres da população.

“No fundo, a conectividade tem de ser levada a todos. Para um determinado público, a política vai requerer mais recursos além da conexão, como um incentivo ao consumo e uma melhor formação para as pessoas fazerem uso dessa infraestrutura. O foco do ministério vai ser, num primeiro momento, levar a conectividade para o maior número de pessoas e que estejam prontas a usar essa tecnologia de forma a evitar desperdícios”, afirma Borges.

A proposta de política para Universalização do Acesso à Internet vai ser apresentada em consulta pública e todos vão poder fazer contribuições.

*Com informações do MCTIC e da Anatel


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