Setor de TI espera demissões se confirmado fim de desoneração da folha

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O setor de Tecnologia da Informação (TI) espera que 83 mil pessoas fiquem desempregadas, caso a medida provisória 774/17, a qual modifica a tributação sobre a folha de pagamento, for aprovada. O assunto foi discutido, nesta terça-feira (13), em audiência pública da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara dos Deputados.

A MP 774 acaba com a desoneração da folha de pagamento para vários setores, como as empresas do ramo de tecnologia da informação, teleatendimento (call center), hoteleiro, comércio varejista e alguns segmentos industriais (entre os quais vestuário, calçados e automóveis). A política de desoneração da folha de salários das empresas foi instituída em 2011 e hoje envolve 56 setores, mas deve ser restringida para apenas 4 a partir de julho.

Apoiadas por representantes dos ministérios da Ciência e Tecnologia, e da Indústria e Comércio, as empresas de TI dizem que estavam vivendo um verdadeiro crescimento chinês nos últimos anos e que a política de desoneração fez com que trabalhadores contratados como pessoas jurídicas fossem formalizados com carteira assinada.

O presidente da Federação das Associações das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação (Assespro), Jeovani Salomão, destacou que o desenvolvimento do setor é essencial para o futuro do País. “Com a MP 774, quem deveria ser visto como ‘a menina dos olhos’ passa a atuar sem segurança jurídica. Nada contra a agropecuária, porém não podemos viver de vender soja para o resto da vida”.

Já para o representante do Ministério da Fazenda, Claudemir Malaquias, que é chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita Federal, a redução das desonerações é necessária para cobrir o rombo da Previdência. “Diversos segmentos conseguiram arregimentar uma força política e desconfiguraram a concepção inicial da medida”, criticou.

Oportunidades
A revisão da política de desonerações, no entanto, não é consenso no governo. Algumas pastas argumentam que o Brasil vai fechar uma janela de oportunidades se não apoiar fortemente a área de TICs.

De acordo com o secretário de Política de Informática do Ministério da Ciência e Tecnologia, Maximiliano Martinhão, 65% das crianças de hoje terão, no futuro, profissões que não existem agora e que estarão ligadas ao desenvolvimento do setor.

Os parlamentares presentes no debate foram unânimes em criticar a medida provisória. O deputado Sandro Alex (PSD-PR) pretende negociar o assunto com o relator da MP, senador Airton Sandoval (PMDB-SP), até o próximo dia 20, quando o parecer deve ser apresentado.

*Com informações da Agência Câmara Notícias


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