Blockchain fará com que indústrias repensem seus serviços

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2017 foi o ano do Bitcoin e isso tem gerado muitas expectativas sobre os benefícios que poderia trazer a tecnologia blockchain para outras áreas como o transporte, governo, logística e comércio.

“Surgida em 2008, mediante um paper acadêmico de Satoshi Nakamoto, blockchain é a tecnologia, ou uma confluência de tecnologias, por traz do Bitcoin e de outras criptomoedas. Trata-se de um sistema para transferências de valor sem necessidade de intermediário, como um grande livro contábil distribuído em uma rede de pares (P2P), que incorpora criptografia, um sistema de governança, leis de validação e um mecanismo de consenso”, explicou Lucas Jolías, Diretor da Prince Consulting, no seminário web realizado pela 5G Americas sobre Blockchain e Internet de Valor.

Segundo o especialista, o Blockchain propõe um novo modelo de Internet distribuído, distante do modelo cliente-servidor. Ao possibilitar a criação de bens digitais únicos, que não podem ser replicados, esta tecnologia está dando um passo ao que alguns autores chamam “Internet de Valor”.

Por sua vez, Jose Otero, Diretor da 5G Americas para América Latina e Caribe, expressou que “tecnologias como blockchain e Internet das Coisas (IoT) necessitam de uma plataforma tecnológica suficientemente robusta que permita transportar toda essa grande massa de tráfego que vamos ter no futuro. Em curto prazo, esta plataforma tecnológica na parte sem fio será 5G, para isto pode ser que a gente precise de espectro radioelétrico”.

Ressaltou também que “em áreas densamente povoadas, além dos 1960 MHz que a União Internacional de Telecomunicações (UIT) diz que são necessários para as primeiras quatro gerações móveis, quando falamos de 5G espera-se que em áreas densamente povoadas se agreguem entre 3,3 a 18 GHz ao espectro que as operadoras têm. É um grande desafio para a América Latina e Caribe”.

Além das criptomoedas
Uma das características de blockchain é que permite atribuir, mediante um sistema descentralizado, a propriedade exclusiva de um bem digital. De acordo com Jolías, algumas aplicações que estão vendo são a função de notariado digital, ou seja, a certificação de informação, com a certeza de que permanecerá inalterada no tempo. “Alguns Estados da América Latina estão começando a empregar como mecanismo para certificar determinados processos, documentos ou informação pública, como, por exemplo, o portal de compras públicas do Chile. Esta é a primeira camada, ou a ponta do iceberg de Blockchain”, afirmou.

Segundo o especialista, “a segunda grande aplicação é a tokenização, ou a possibilidade de converter bens digitais em bens únicos. Alguns países estão começando a experimentar no emprego para títulos de propriedade de terras ou automóveis. Também estão realizando provas para utilização de Blockchain em sistemas de geração de energia distribuída, como por exemplo, no Brooklin, em Nova York, em logística, para rastreabilidade de diamantes, e para rastreabilidade e certificação no manuseio de carne suína. Também na Argentina, na cidade de Bahía Blanca (na província de Buenos Aires) aconteceu um teste piloto para a entrega de subsídios certificados em blockchain. E também na Argentina, o boletim oficial está certificando com blockchain como um notário digital “.

Na opinião de Jolías, blockchain é “uma tecnologia no mínimo disruptiva, que obriga determinadas instituições a repensar serviços, e o mundo como o sistema bancário demonstrou isso. Mas, além do impacto que pode ter, o que está claro é que os bancos estão interessados nesta nova tecnologia e em como baixar seus custos de transação e oferecer melhores serviços. E também pode ser uma tecnologia disruptiva para outros setores como comércio, economia ou Governo. A Argentina, o México e o Chile são alguns dos países que têm realizado algumas provas com esta tecnologia. Em especial, a Argentina e o México, possuem um ecossistema muito forte de criptomoedas”.