Ataques cibernéticos disparam com pandemia e atingem elétricas no Brasil e no mundo

Segurança

A pandemia de coronavírus que tem abalado a economia global e impactado mercados financeiros pelo mundo também teve como efeito colateral um salto nos ataques cibernéticos, com muitos deles mirando empresas do setor elétrico no Brasil e no exterior, disseram especialistas à Reuters.

Desde meados de março, quando o vírus chegou com maior força ao território brasileiro e levou governos e prefeituras a decretarem quarentenas para tentar conter seu avanço, elétricas incluindo as locais Energisa e Light e as europeias Enel e EDP foram atingidas por criminosos virtuais.

Por serem serviços essenciais, as elétricas acabam sendo um dos alvos preferenciais dos criminosos digitais, que vêm chance maior de forçar pagamentos de resgates, cobrados em criptomoedas. Mas empresas de diversos setores foram atacadas, incluindo a Avon, do segmento de cósméticos, e a Cosan, conglomerado de açúcar, combustíveis e logística do país.

O fenômeno está claramente associado à migração em massa de companhias para regimes de trabalho remoto, com funcionários em casa, o que aumenta a vulnerabilidade das redes corporativas, disse à Reuters o presidente da empresa de segurança de infraestruturas críticas TI Safe, Marcelo Branquinho.

Ele ressaltou, no entanto, que nos casos registrados até o momento os hackers conseguiram acesso apenas a redes de tecnologia da informação (TI), e não às redes de automação (TA), associadas à gestão dos sistemas de eletricidade.

“Aconteceu um aumento que a gente calcula em torno de 460% no ataques a empresas de energia desde março até junho deste ano”, disse, ao citar tentativas de ataques evitados por sistemas fornecidos pela empresa a clientes no setor.

Os ataques atingiram apenas redes de TI, administrativas. Se um ataque desses conseguisse entrar na TA, poderia haver blecautes, o que seria infinitamente mais grave”, acrescentou.

“A partir do momento em que há milhares de funcionários de cada empresa acessando a rede de uma forma que não era usual, isso abre brechas de segurança para hackers entrarem nas redes de TI… agora existem milhares de portas de entrada.”

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