5G é uma oportunidade de desenvolvimento para o Brasil

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Alex Takaoka, da Fujitsu no Brasil, falou do presente e do futuro da tecnologia 5G, apontou as suas principais potencialidades e abordou a estratégia da empresa neste campo.

A Fujitsu Brasil tem na tecnologia 5G um dos pontos centrais de sua estratégia corporativa. Em conversa com a Bit Brasil, Alex Takaoka, diretor de Vendas do Fujitsu no Brasil, falou do presente e do futuro da tecnologia e apontou as principais potencialidades do 5G bem como a estratégia da empresa neste campo.

Bit – Como está a Fujitsu olhando para o 5G atualmente?

Alex Takaoka – A tecnologia 5G é parte central de nossa estratégia corporativa mundial para promover uma sociedade mais sustentável e próspera através da tecnologia. Entendemos que o acesso à informação e plataformas de alto desempenho de forma massificada é peça chave no desenvolvimento de uma sociedade inteligente mais conectada. Com essa visão, temos investido constantemente no desenvolvimento de produtos e serviços para a implementação de redes 5G e nos futuros padrões como o 6G.

Bit – Que passos falta dar para esta tecnologia se tornar “realidade”?

Alex Takaoka – A tecnologia 5G já é uma realidade em construção em vários países que tem suas primeiras redes implementadas, provando a capacidade prometida de transformação e desempenho. Estamos agora no momento chave de começar a “escalar” a tecnologia através da implementação de novas redes ao redor do globo com o suporte e regulação dos governos locais e dos investimentos da iniciativa privada.

Bit – Quais as potencialidades do 5G?

Alex Takaoka – Com acesso de maior qualidade, tanto em capacidade como em tempo de resposta, implementações de missão crítica, que dependem de grande quantidade de dados, poderão ser implementadas com menor custo e maior confiabilidade. A tecnologia 5G pode entregar de 10 a 20 vezes mais performance, o que torna, por exemplo, a implementação de fábricas inteligentes com controles automatizados e gestão de qualidade baseada em vídeo de alta resolução em tempo real uma realidade mais próxima de um número maior de empresas.

Bit – De que forma pensa que esta tecnologia pode ajudar o país?

Alex Takaoka – O Brasil é um país que ainda carece de conectividade em nível nacional, sendo essa mais uma oportunidade que temos de expandir a cobertura em mais áreas e assim atraindo atividade econômica, tanto com o estabelecimento de empresas, quanto na expansão do trabalho remoto nessas regiões. No entanto, para isso é necessário que essa infraestrutura básica de conectividade de alta qualidade esteja disponível tanto para as empresas como para os cidadãos.

Bit – Tem exemplos concretos relacionados ao Brasil?

Alex Takaoka – O Brasil com suas dimensões continentais tem um desafio maior na implementação de redes contínuas de alta velocidade. No entanto, isso também é uma oportunidade de desenvolvimento de diversos polos potencializados pela disponibilidade de infraestrutura adequada que pode atrair atividade econômica relacionada a nova economia digital. Além desse ponto, com a implementação de redes privadas 5G e computação de borda, um nível maior de automação e resposta baseada em Inteligência Artificial pode ser alcançada na produção agrícola, industrial e de proteção ambiental elevando o patamar de produtividade de nossas empresas e bem estar da sociedade.

Bit – Quando pensa que o Brasil pode vir a usar 5G?

Alex Takaoka – Estamos no caminho dessas implementações e acredito que teremos sucesso na execução do processo de concessão das frequências e na regulação da implementação da tecnologia 5G ainda em 2021, como projetado pelo Governo e entes participantes. A partir desse ponto, teremos algum tempo ainda empenhado na implementação de redes e na pesquisa e regulação de padrões adicionais como o OpenRAN que deve agregar muito na forma como as redes poderão ser construídas e operadas no futuro.

Bit – Tendo em conta um mapeamento da Anatel, apenas 11,1% de toda a extensão territorial do país tem cobertura 4G. De que forma isso pode dificultar o 5G no Brasil?

Alex Takaoka – O 4G não é essencial para implementação de redes 5G, uma vez que redes privadas e standalone podem ser implementadas onde a tecnologia 4G ainda não está presente. O salto de uma geração pode ser uma estratégia altamente eficaz, reduzindo o tempo de evolução tecnológica em casos onde existe esse “atraso”. A parte mais importante desse dado da Anatel, na verdade, é que temos uma quantidade enorme territorial carente de qualquer tipo de conectividade e essa é uma oportunidade de reduzir esse déficit histórico que afeta diretamente a todos.

Bit – Como vê as medidas do Governo no âmbito do 5G?

Alex Takaoka – Temos acompanhado as definições uma vez que nos afeta de forma indireta como fornecedores de tecnologia e até o momento não vemos nenhum ponto complexo ou impeditivo à nossa participação nesse mercado.

Bit – Qual a estratégia 5G da Fujitsu?

Alex Takaoka – A Fujitsu investe no desenvolvimento de tecnologia de ponta, segura e aberta em todos os seus segmentos de atuação. Dessa forma, participamos ativamente do O-RAN Alliance que define padrões de interoperabilidade entre equipamentos de rede 5G aos quais nossos produtos são totalmente aderentes. Nossa estratégia é pautada em dar poder de escolha aos nossos clientes para possam compor sua infraestrutura de redes do ponto de vista de Hardware, Software e serviços de forma transparente, a fim de promover índices maiores de competitividade e segurança auditável em todos os pontos da implementação. Essa estratégia, quando avaliada em perspectiva de longo prazo, garante maior competitividade de mercado, transparência e evolução de forma similar ao que acontece em todo o segmento de tecnologia atualmente, onde cada vez mais a cooperação de diversos fornecedores leva a real inovação e construção de valor.

Bit – Qual o papel da Fujitsu neste campo junto das empresas / usuários? 

Alex Takaoka – Como destaquei, somos essencialmente fornecedores de tecnologia de hardware, software e serviços para implementação de redes 5G, tanto em âmbito de operadoras de telecomunicações, quanto em redes privadas de organizações. De forma indireta, os usuários finais dessas empresas são também nossos usuários e por esse motivo prezamos muito pela segurança, transparência e confiabilidade de nossas soluções e na de parceiros de implementação 5G OpenRAN. A implementação das redes 5G standalone, e mesmo as iniciadas a partir de um core 4G demandam uma ampliação considerável de conectividade por fibra ótica, sendo esse o nosso segmento de atuação atual no mercado nacional, onde oferecemos equipamento de ponta para implementação desse tipo de redes que é a base futura para a expansão massiva de 5G no futuro.

 

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