Brasil vive epidemia de ataques cibernéticos a prefeituras

Segurança

No Brasil, o governo é o alvo principal dos cibercriminosos, e o setor lidera o ranking com 35,3% das ameaças bloqueadas em 2020,

Enquanto o Brasil e o mundo ainda lutam para conter o contágio do Coronavírus, uma nova epidemia está se alastrando pelo planeta e já chegou ao país: a de ataques hackers a prefeituras.

Desde o final do ano passado, sistemas de mais de 30 municípios, por exemplo, Campos dos Goytacazes (RJ), Taboão da Serra (SP), Belo Horizonte (MG), Campinas (SP) e outros foram invadidos, comprometendo e paralisando serviços on-line e presenciais. As vítimas incluem “cidades de todos os tamanhos, o que demonstra a natureza automatizada dos softwares que coordenam essas ações”, refere a Trend Micro.

Os ataques às prefeituras são na grande maioria do tipo ransomware, que é um tipo de extorsão no qual cibercriminosos sequestram e criptografam dados dos sistemas e cobram um resgate para reestabelecer o acesso e não divulgar as informações na internet.

Outros hackers têm como alvo sistemas financeiros, o que garante mais chances de sucesso do que um pedido de resgate.

Segundo levantamento da Trend Micro, os segmentos mais atingidos, em todo o mundo, em 2019 e 2020, “foram os de manufatura, governo, educação e saúde”, nesta ordem, sendo que estes quatro setores foram responsáveis por mais de mais de 1 milhão 463 mil detecções, só no ano passado.

No Brasil, o governo é o alvo principal dos cibercriminosos, e o setor lidera o ranking nos últimos dois anos, com 40% dos ataques, em 2019, e 35,3% das ameaças bloqueadas em 2020, com mais do que o triplo de detecções em relação ao segundo colocado.

O Brasil tem 5.500 municípios, muitos com uma gestão de TI muito precária. Segundo Renato Tocaxelli, gerente de contas de Governo da Trend Micro, “com a Covid, os investimentos em segurança foram reprimidos para dar atenção a outras prioridades.” “

Para os hackers, as prefeituras são fontes de renda mais fáceis e rápidas, “porque a paralisação dos serviços cria rapidamente uma insatisfação popular, uma pressão contra o gestor, que muitas vezes não vê outra alternativa senão pagar o resgate”.

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