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Claude foi usado em operações de vigilância ligadas a China, Irã e Mali; Anthropic bloqueou as contas

Claude in Chrome

Imagem: Reprodução/Claude

A Anthropic identificou e interrompeu operações que usaram o Claude para criar ferramentas de vigilância, analisar dados pessoais e apoiar estruturas de inteligência ligadas a atores da China, do Irã e de Mali.

A empresa afirma que bloqueou as contas envolvidas e reforçou seus mecanismos de detecção após as investigações.

Os casos aparecem no relatório de ameaças de setembro de 2026, que reúne abusos observados entre dezembro de 2025 e agosto de 2026.

Na China, Claude cria dossiês e monitora dissidentes

A Anthropic descreve diferentes grupos ligados ou alinhados a órgãos públicos chineses.

O Claude redigiu mensagens no dialeto regional, traduziu respostas e ajudou a organizar o material para possível entrega a um responsável pela operação.

No Irã, contas ajudaram a montar ferramentas de coleta e perfilamento

No caso iraniano, a Anthropic diz ter banido 16 contas ligadas a duas unidades associadas a estruturas paramilitares e de segurança doméstica.

Entre os trabalhos identificados estavam uma extensão maliciosa para Firefox, interfaces para um sistema de gerenciamento de casos e ferramentas para relacionar identidades e atividade em redes sociais.

Uma das unidades analisou 155.216 publicações no X e destacou 39 contas de oposição e da diáspora para acompanhamento.

O relatório também cita um sistema chamado Arman, que reunia dados como identidade, crenças, histórico criminal e perfis sociais dos alvos.

Em Mali, um assinante teria atuado como equipe de engenharia

O episódio de maior escala descrito nessa frente envolve Mali.

Imagem: Reprodução

Segundo a investigação, um único assinante, provavelmente um consultor em Bamako, usou o Claude como principal força de engenharia para construir o Lakana 360, plataforma destinada ao serviço de inteligência do país.

A Anthropic afirma que o sistema foi projetado para monitorar as três operadoras móveis nacionais e lidar com dados ligados a cerca de 25 milhões de chips SIM.

O projeto incluía registros de chamadas e mensagens e capacidade de gerar dossiês sobre números selecionados.

A empresa também relata que o fluxo foi ajustado para retirar uma exigência de autorização judicial em determinada etapa.

O que a Anthropic fez depois das descobertas

A política da Anthropic proíbe vigilância não consensual, perfilamento abusivo e usos que violem direitos civis.

Nos casos relatados, a empresa diz que baniu contas, mapeou assinaturas digitais dos operadores, criou novas detecções e compartilhou indicadores com parceiros e autoridades quando necessário.

Para o usuário comum, o relatório não descreve uma invasão do Claude ou um vazamento generalizado de contas.

O alerta está em outro ponto: modelos de IA já conseguem reduzir drasticamente o trabalho necessário para construir e operar sistemas de vigilância.

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