A Anthropic afirmou ter interrompido uma operação que usava o Claude para produzir e reescrever conteúdo político em cerca de 70 sites de notícias fabricados.
Segundo o relatório da empresa, a rede mirava públicos em seis continentes, incluindo:
- Brasil;
- Estados Unidos;
- França; e República Democrática do Congo.
A companhia atribuiu a infraestrutura à LKM Company, uma agência de publicidade digital sediada na França.
A Anthropic diz que baniu a conta e a organização associadas e criou novas formas de detecção baseadas no comportamento observado.
Claude ajudava a criar e adaptar textos políticos
De acordo com a Anthropic, o grupo usava o Claude para duas tarefas principais:
- escrever artigos originais para os sites falsos; e
- reescrever notícias de veículos legítimos com direcionamento político adaptado a cada público.
O sistema também seguia uma estrutura automatizada, com saída em JSON, HTML formatado, limites de caracteres e links internos.
A empresa afirma que os operadores conseguiram publicar ao menos 8.913 artigos em aproximadamente 20 idiomas.
Brasil estava entre os públicos escolhidos
O relatório cita Brasil, Estados Unidos, França e República Democrática do Congo como espaços democráticos disputados que receberam atenção da rede.
A Anthropic, porém, não descreve uma única orientação ideológica para a operação.
Segundo a empresa, os posicionamentos mudavam conforme o cliente e podiam favorecer lados diferentes do espectro político.
A Anthropic classificou esse padrão como um serviço comercial de influência, mas afirmou que não encontrou evidência de direção por um governo e não confirmou quem contratou os conteúdos.
Operação teve pouco alcance orgânico, segundo a Anthropic
Embora a produção tenha sido grande, a empresa diz ter interrompido a rede antes que ela construísse uma audiência autêntica relevante.
A avaliação da Anthropic aponta pouco engajamento observável de pessoas reais e ausência de evidência de expansão significativa além dos próprios sites e contas conectadas.
A infraestrutura incluía ainda cerca de 70 contas correspondentes no X e mais de 250 perfis inautênticos de comentários usados para amplificação.
Para o leitor brasileiro, porém, o ponto prático é que aparência de portal local não garante origem independente:
- redes coordenadas podem publicar grande volume de textos adaptados ao país e sustentá-los com perfis sociais ligados entre si.
O caso também mostra uma limitação importante da apuração: os números e a atribuição partem da investigação da própria Anthropic.
A empresa divulgou indicadores técnicos da operação, porém não apresentou evidência de que a rede tenha alterado opinião pública ou comportamento eleitoral no Brasil.
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