Como a tecnologia vem ameaçando o poder das milícias no Rio de Janeiro

O duplo desafio imposto pela recessão global, evolução tecnológica e pela automação causou grandes mudanças no mundo do trabalho. E, por incrível que pareça, isso também afetou as milícias no Rio de Janeiro. A cada dia, a tecnologia vem diminuindo o poder das milícias.

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A cada dia a tecnologia vem diminuindo o poder da milícia.
Cena de “Tropa de Elite 2”: (Divulgação)

Virtualização do Trabalho e a fuga das milícias

A pandemia do Covid-19 acelerou a transformação digital da maioria das empresas no Brasil, trazendo o trabalho remoto para a realidade dos brasileiros e vem despertando o interesse de empreendedores em novas tecnologias.

O número de lojas virtuais cresceu 40% em 2020 por conta da pandemia e isso afeta diretamente na atuação das milícias no Rio de Janeiro.

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Antes, quando um comerciante abria uma loja em um bairro controlado pela milícia, o mesmo deveria pagar uma “taxa” – mais conhecida como arrego – para os contraventores, era impossível se esconder pois uma loja física precisa ser visível para todos. Hoje, com as lojas virtuais, os milicianos não têm como saber quem no bairro têm um negócio ou não.

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Algumas empresas no Brasil já oferecem serviços de “escritório virtual” onde empreendedores podem alugar um endereço comercial apenas para colocá-lo como endereço fiscal. Desta forma, não há como saber a real localização da empresa. Muitos moradores de áreas controladas pela milícia já adotaram lojas virtuais como um meio de fugir da extorsão. 

O lockdown da pandemia e o trabalho home office também afetaram o transporte ilegal controlado pela milícia. Um sistema que reúne dados de diversas empesas detectou em 2020 uma forte redução na circulação da cidade em todas as modalidades.

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O monitoramento levou em conta a circulação de barcas, Bike Rio, BRT, Linha Amarela, metrô e trens e dados do aplicativo Moovit, que marca a circulação dos ônibus. Em todos, houve uma grande queda na circulação, o que por consequência afetou as vans controladas pelo crime organizado.

Número de assinantes de “Gato Net” diminuiu

A pirataria de TV a cabo não é novidade. Só nos últimos dias, a polícia do Rio de Janeiro cumpriu 13 mandados de busca e apreensão em uma ofensiva contra a distribuição pirata de conteúdo audiovisual.  A operação está sendo coordenada e dirigida pela Secretaria de Operações Integradas do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). A execução está sendo realizada pela Polícia Civil de nove estados do Brasil.

Mas o que a milícia não esperava é que, segundo dados da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) houve queda de 17% nos acessos a TVs por assinatura nas capitais brasileiras de 2019 a 2021.

O serviço de TV paga perdeu 55,6 mil assinaturas em janeiro, chegando a uma base 13,4 milhões de acessos, considerando-se apenas a base do serviço pago e comparando com dezembro de 2021.

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A queda de assinantes de TV paga também afetou serviços de “Gato Net”, moradores optam por serviços de streaming como Netflix e IPTV ao invés da TV Paga. Em alguns bairros do Rio já não tem mais “serviços paralelos de TV a cabo”.

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