O retorno dos “dumbphones”: celulares básicos estão em alta de novo

De volta as origens dos anos 90, o retorno dos "dumbphones": celulares básicos em alta no mercado para evitar vício em tecnologia

Quem não lembra daqueles aparelhos que tinham como principal função telefonar e o entretenimento era o jogo da “minhoca”? Vamos falar sobre o retorno dos “dumbphones”: celulares básicos que estão em alta novamente. Entenda os motivos no texto abaixo.

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Celular Nokia baseado nos modelos dos anos 90 (Imagem: Isaac Smith/Unsplash)

Celular Nokia baseado nos modelos dos anos 90 (Imagem: Isaac Smith/Unsplash)

Após tanta inovação, celulares básicos estão em alta

Era final dos anos 90 e os celulares começavam a se popularizar, com a “incrível capacidade de poder receber chamadas onde estivesse”. Nesses aparelhos, chamados “dumbphones” (apelido dado em oposição aos smartphones), só era possível fazer e receber chamadas e mandar mensagens de texto SMS.

Em casos muito excepcionais — “alta tecnologia” —, era possível tirar fotos de qualidade duvidosa e quem sabe, talvez, escutar ao rádio.

Existe alguma tendência por trás desse retorno: pode ser a crise financeira global, que obrigou alguns usuários a adquirirem estes aparelhos muito mais baratos e com contas singelas; ou até uma tentativa de se desintoxicar da loucura que se tornou a dependência dos aparelhos que “fazem tudo”, chamados smartphones.

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Em entrevista a BBC, uma moradora de Londres chamada Robin West, explicou o motivo da decisão de optar por um aparelho desse gênero, ao ter a necessidade de adquirir um novo:

“Eu não notei até comprar um telefone ‘tijolão’ o quanto um smartphone estava tomando conta da minha vida. Eu tinha um monte de aplicativos de mídia social nele, e eu não era tão eficiente no meu trabalho, pois estava sempre presa no meu telefone anterior.” 

Números que não deixam mentir sobre o retorno dos “dumbphones”; celulares básicos em alta no mercado

A matéria da BBC revelou dados fornecidos pela empresa SEMrush, sobre o aumento de buscas sobre esse modelo de telefone celular: “as buscas no Google por eles saltaram 89% entre 2018 e 2021”. Talvez, isso realmente seja uma tendência pelos números apresentados.

iPhone ao lado de modelo analógico antigo (Imagem: Isaac Smith/Unsplash)

Números em venda de dumbphones podem estar próximos aos smartphones (Imagem: Isaac Smith/Unsplash)

É complicado encontrar dados oficiais sobre volume de vendas, visto que todos os olhos estão voltados para o consumo de smartphones. O que não impediu que relatórios de estimativas fossem feitos sobre o fenômeno e publicados pela Counterpoint

“De que os 400 milhões de aquisições em 2019, no ano passado de 2021, possam se consolidar com o valor de um bilhão de novos aparelhos “dumbphones” que foram adquiridos”.

O retorno da “vida” e privacidade

O retorno dos “dumbphones” pode não ser novidade, pois estamos cada vez mais expostos e nos expondo a web. Grande parte dessa movimento massificante foi ampliado pela popularização dos smartphones.

O psicólogo polonês, Przemek Olejniczak, que trocou seu “antigo” smartphone por um “novo” Nokia 3310, em entrevista a BBC disse não se arrepender, além de observar muitos pontos positivos:

“Agora tenho mais tempo para minha família e para mim. Um grande benefício é que eu não sou viciado em gostar, compartilhar, comentar ou descrever minha vida para outras pessoas. Agora eu tenho mais privacidade.”

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Leandro Kovacs
Escrito por

Leandro Kovacs

Leandro Kovacs é jornalista e radialista. Trabalhou com edição audiovisual e foi gestor de programação em emissoras como TV Brasil e RPC, afiliada da Rede Globo no Paraná. Atuou como redator no Tecnoblog entre 2020 e 2022, escrevendo artigos explicativos sobre softwares, cibersegurança e jogos. Desde então, atua como editor no Grupo Gridmidia.