As mulheres ainda correm perigo! O metaverso do Facebook não protege você de assédio

É ingenuidade pensar que o novo universo virtual, o metaverso, seria mais eficaz em proteger as mulheres sobre crimes que já acontecem no mundo real e na internet conhecida, o assédio. A plataforma desenvolvida pelo Facebook no metaverso, Horizon Worlds, está cheia de relatos caindo sobre si nesse aspecto.

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(Imagem: UK Black Tech/Unsplash; Adaptação: Bit Magazine)

Reflexo da realidade

O Avatar de uma mulher de 21 anos foi agredido sexualmente na plataforma de realidade virtual da Meta (dona do Facebook), Horizon Worlds, segundo vítimas e pesquisadores. O grupo de responsabilidade corporativa SumOfUs, fazia uma pesquisa sobre a plataforma e diz que o Meta precisa de melhorar os planos para mitigar os danos no metaverso.

Atualmente, Horizon Worlds está disponível apenas para usuários nos Estados Unidos e Canadá. Os avatares na plataforma têm uma aparência simples de desenho animado.

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O SumOfUs diz que ataques virtuais podem ser extremamente traumáticos. E os crimes cometidos não se restringem a mulheres, podem afetar crianças e adolescentes.

Em nota dada pela SumOfUs ao podcast da BBC Tech Trent, Vicky Wyatt, diretora coorporativa da empresa, afirmou que o assédio “mesmo virtual, ainda conta, pois, tem um impacto real nos usuários”.

Wyatt disse haver pesquisadores submetidos à suposta agressão e sentiram que “parte deles ficou realmente chocado, parte deles pensou: ‘OK, este não é meu corpo real, este é um avatar’ e outra parte deles pensou ‘isso é pesquisa, é muito importante o que estou fazendo, preciso capturar essa filmagem'”.

Experiência que não vale o esforço no metaverso

Embora o Meta (grupo liderado por Mark Zuckerberg) tenha lançado Horizon Worlds em dezembro de 2021, os relatos de assédio online e agressão sexual virtual estão crescendo.

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Nina Patel, uma usuária de Horizon Worlds e pesquisadora especializada em metaverso, contou uma experiência angustiante na plataforma que a deixou se sentindo violada e insegura.

Em depoimento publicado no Medium, Nina relata:

“Depois de 60 segundos após entrar, fui assediado verbal e sexualmente [por] 3-4 avatares masculinos, com vozes masculinas, essencialmente.”

Ela continuou dizendo que foi “praticamente estuprada por gangues”, por outros avatares e que também tiraram fotos enquanto ela tentava fugir. Patel descreveu a experiência como “surreal” e um “pesadelo”.

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Ferramentas de segurança não são o suficiente

Em relatórios apresentados ao Meta, novas ferramentas de segurança foram mostradas após a leitura dos dados. Caso do “Limite Pessoal”, recurso que impede que usurários invadam o limite de espaço uns dos outros.

Em comunicado, o Meta disse que a ferramenta impedirá que outros avatares cheguem até quatro pés de distância.

Vivek Sharma, vice-presidente do Meta, também afirmou nesta mesma nota que um dos objetivos em relação à segurança no aplicativo é tornar o recurso de bloqueio “trivialmente fácil e localizável”.

Além disso, o Meta registra os últimos minutos da atividade de cada usuário para poder revisar as imagens sempre que alguém relatar uma interação negativa.

Ainda assim, apesar de todos esses recursos atualmente em vigor, não parecem ser suficientes para conter o assédio, segundo os pesquisadores voltados ao metaverso.

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