O uso de inteligência artificial traz resultados inesperados e surpreende em trabalho policial

A utilização da Inteligência Artificial (AI) para auxiliar no combate ao crime já causou diversos problemas e é constantemente tratada como uma tecnologia que pode promover o preconceito com seus resultados. Será que a tecnologia envolvendo AI expõe atos de racismo na polícia?

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AI expõe racismo
AI no combate ao crime (Imagem: Matt Popovich on Unsplash)

Os pesquisadores da área insistem que a tecnologia, mesmo com todas as suas falhas e problemas, pode ser um dos maiores aliados para a segurança pública.

A alegação é de que identificando e classificando dados, pode-se prever padrões e definir onde e como os crimes vão acontecer. Os resultados, entretanto, mostram dados surpreendentes.

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Pesquisadores usam inteligência artificial para prever crimes

O estudo publicado por pesquisadores da Universidade de Chicago, promoveu resultados além das expectativas. 

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Montado para analisar a probabilidade de crimes com base em dados históricos, o AI não só previu o nível da criminalidade em várias cidades norte-americanas com quase 90% de acerto, como ainda fez uma análise sistêmica nos padrões de resposta da polícia nas diferentes áreas.

Segundo o professor-assistente da universidade, Ishanu Chattopadhyay, os dados analisados pela inteligência artificial foram baseados em crimes registrados entre os anos de 2014 a 2016.

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Os números indicam que a resposta da polícia para crimes em bairros de alta renda resultam em mais prisões (mais trabalhoso e com altos custos para o estado), se comparados a crimes em áreas mais pobres, ao que parece, ignorados ou com atuação de forma “diferente”.

Resultado da análise do AI expõe racismo na polícia

Para os autores do estudo, este é um indicativo de que a polícia trabalha de maneira diferente dependendo da área onde as ocorrências acontecem.

Tais previsões nos permitem estudar as perturbações dos padrões de crime, e sugerem que a resposta ao aumento do crime é influenciada pelo status socioeconômico da vizinhança, drenando recursos políticos de áreas socioeconomicamente desfavorecidas, como demonstrado em oito grandes cidades dos EUA”, diz o relatório.

O professor afirmou que a equipe fez todo o possível para eliminar qualquer tipo de fator tendencioso durante a pesquisa, como, por exemplo, a identificação dos suspeitos, o que poderia acarretar tendências racistas.

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Dessa maneira a pesquisa focou apenas em identificar as áreas dos crimes, deixando os sujeitos de lado.

O racismo pode estar na estrutura que “alimenta” os dados da inteligência artificial

Outros pesquisadores da área, como o integrante do Centro de Policiamento Baseado em Evidências de Cambridge, Lawrence Sherman, apontaram que a própria maneira como os crimes são registrados já podem fazer com que as informações contenham tendências racistas.

Segundo ele, os dados podem ser tendenciosos por serem reflexos de um sistema policial discriminatório.

Mesmo assim, Chattopadhyay defendeu o uso do AI afirmando que só o fato dela conseguir estimar áreas com alto nível de criminalidade, com ou sem tendências preconceituosas, poderia resultar em medidas preventivas que não envolvessem o uso de força policial.

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