Telegram: Reportagem da Globo expõe grupos criminosos em rede social

O Telegram no Brasil continua causando polêmica. O programa Fantástico, da Rede Globo, exibiu uma matéria exclusiva expondo grupos criminosos em rede social. A aplicativo, instalado em mais de 1 bilhão de celulares, é alvo de diversas denúncias, desde fake news, até pornografia infantil e discurso neonazista.

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Telegram: Reportagem da Globo expõe grupos criminosos em rede social
Imagem: Christian Wiediger | Unsplash

Pesquisando grupos dentro do aplicativo, a reportagem encontrou de tudo um pouco: dinheiro falso, venda de armas, tráfico de drogas, vendas de certificado de vacinação, entre outros. Tudo em poucos cliques, na rede livre da internet.

Telegram: Liberdade de expressão perigosa?

O Telegram já é alvo do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) desde que não manifestou a decisão de apoiar o controle de fakes news e redirecionar usuários para os sites oficiais em busca do fato real.

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Twitter, Facebook e WhatsApp concordaram com a decisão sem problemas, mas parece que o aplicativo que atrai tantos seguidores não cansa de causar polêmicas.

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O aplicativo foi desenvolvido pelo russo Pavel Durov, em 2013, com a missão de proteger a liberdade e privacidade do usuário que utilizassem-no para troca de mensagens. Mas, com a criação de canais com milhares de pessoas, o aplicativo passou de um mensageiro para uma rede social com grupos sobre diversos temas.

Ativistas consideram o aplicativo um ambiente seguro devido a liberdade, anonimato e privacidade pregado por eles. Uma prova disso é como usuários pró-democracia fizeram uso para trocar informações em Hong Kong sem serem perseguidos. O mesmo ocorre agora durante a guerra entre Rússia e Ucrânia.

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O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky utiliza seu canal para divulgar discursos, informações sobre ataques e moradores podem trocar informações de forma segura, enquanto os russos o utilizam contra a censura imposta no país a diversos meios de publicação como Twitter e Instagram.

Mas, com um ambiente seguro e anônimo, muitos o viram como meio de divulgação de crimes. O Fantástico monitorou grupos sobre:

  • Estelionato;
  • Propaganda neonazista;
  • Pornografia infantil;
  • Venda de armas sem registro;
  • Venda de drogas;
  • Venda de notas de dinheiro falsas;
  • Falsificação de documentos;
  • Falsificação do certificado de vacinação contra a Covid-19.

Até “professores de crimes” estão nos grupos, oferecendo aulas de como fraudar e utilizar banco de informações pessoais de brasileiros para aplicar golpes, com as tradicionais ligações de resgate por sequestro, entre outras, e quem ensina o golpe, tem orgulho da “profissão”.

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“Quem dá golpe acorda cedo, malandro. Quem dorme muito, fica liso, tá duro. Bota isso na sua cabeça”, diz “Professor de Estelionato” em mensagem de áudio na rede social.

Telegram: Reportagem da Globo expõe grupos criminosos em rede social
Imagem: Reprodução | Rede Globo

Preocupação com fake news nas eleições

Enquanto isso, o Ministério Público já possuí mais de 6 mil páginas de um inquérito aberto contra o aplicativo em 2021, devido a preocupação de quanto ele pode afetar as eleições de 2022.

O TSE, na semana passada, mais uma vez tentou contato com o Telegram e não obteve resposta. Tanto que Luiz Edson Fachin, presidente do Tribunal Superior Eleitoral e ministro do Supremo, disse ao Fantástico que espera poder dialogar com a empresa sobre fake news.

 

“O voto é a expressão livre e consciente da vontade do eleitor. É necessário que seja assim, é necessário que o consentimento do eleitor não seja capturado de forma criminosa, por meio da deturpação de fatos e circunstâncias que levem precisamente a essa pirataria que se dá num mundo sem leis”, declarou o magistrado.O Brasil tem regras sobre isso. Tive com o pronunciamento do próprio Congresso Nacional e a Justiça Eleitoral estará atenta, eis que disseminar fato que sabe inverídico é nos termos da legislação eleitoral um delito”.

Para garantir uma eleição segura, mais de 80 aplicativos e sites aceitaram a proposta do TSE em combater as fake Nnws, redirecionar aos sites do governo e remover anúncios que envolvem eleições. 

O Telegram, para surpresa de ninguém, foi o único a não se manifestar sobre tais medidas.

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