Tesla terá de responder por “centenas” de acusações de racismo

Uma agência de direitos civis da Califórnia entrou com uma ação contra a Tesla na última quarta-feira (9), alegando racismo e assédio na fábrica de Fremont da montadora. Kevin Kish, diretor do DFEH da Califórnia, disse em comunicado que a agência recebeu “centenas” de reclamações de trabalhadores.

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O preconceito se estendia às políticas de trabalho dentro da fábrica da Tesla. Segundo as denúncias, os funcionários negros eram designados para trabalhos mais exigentes fisicamente sem existir uma justificativa plausível, o argumento era apenas por “serem mais preparados”.

Tesla terá de responder por "centenas" de acusações de racismo
Imagem: Divulgação/Tesla
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“Depois de receber centenas de reclamações de trabalhadores, o DFEH encontrou evidências de que a fábrica de Fremont da Tesla é um local de trabalho racialmente segregado, onde trabalhadores negros são submetidos a insultos raciais e discriminados em atribuições de trabalho, disciplina, pagamento e promoção criando um ambiente de trabalho hostil”, disse Kish.

As punições para esses funcionários eram sempre mais estritas por infrações leves no trabalho que os colegas de trabalho que não eram pretos recebiam pelas mesmas infrações. Esses funcionários sempre tiveram promoções recusadas.

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Histórico de acusações de racismo na Tesla

Nos últimos dias, uma ex-funcionária da empresa de Elon Musk avançou com uma ação contra a empresa depois de, alegadamente, uma colega a ter ofendido verbalmente e agredido com uma ferramenta quente.

A mulher de 25 anos, negra e homossexual, queixou-se aos recursos humanos mas, em vez de ver a situação resolvida, sofreu represálias – acabando mesmo por ser despedida sem justa causa.

“Ser um trabalhador negro na fábrica da Tesla na Califórnia é ser forçado a voltar atrás no tempo e sofrer abusos dolorosos que relembram a era das leis de Jim Crow”, que impunham a segregação racial, lamentou a ex-funcionária, Kaylen Barker.

Em 2021, um funcionário da Tesla chamado Owen Diaz venceu um processo contra o fabricante, recebendo US$137 milhões (cerca de R$716 milhões) em reparação na justiça.

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Esse funcionário declarou que recebia xingamentos e epítetos racistas diariamente enquanto trabalhou na fábrica entre 2015 e 2016. Ele também teve que lidar com pichações no banheiro com dizeres mandando “voltar para a África”.

Diaz disse que os supervisores da fábrica não interviam. As situações e stress o fez perder peso e noites de sono. O juiz do caso sentenciou a Tesla a pagar US$130 milhões como punição mais US$7 milhões pelos danos emocionais ao funcionário.

Na época, o fabricante prometeu tomar atitudes contra o racismo no ambiente de trabalho.

Resposta da Tesla

A fabricante soltou uma nota em seu blog respondendo às acusações. Ela inicia dizendo que defende todo tipo de diversidade e que realiza treinamentos contra o preconceito.

A montadora também diz que o processo do DFEH é relacionado com denúncias antigas, realizadas entres 2016 e 2019.

Por fim, a Tesla criticou o processo, dizendo que o órgão estadual não encontrou evidências de racismo na fábrica.

A nota reforça que a Tesla “é o último fabricante de automóveis do estado da Califórnia, alegando ser errado processar a empresa em uma época onde empresas estão saindo do estado”.

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