Antivírus Kaspersky é acusado de espionagem

EUA especulam sobre possibilidade de ataques cibernéticos e alertam empresas sobre o conhecido software russo de proteção Kaspersky.

Após a invasão da Rússia que originou a guerra contra a Ucrânia, diversos aplicativos com origem no país de Putin passaram a ser vistos com desconfiança e possível canal de operações. Os EUA especulam e alertam empresas sobre software russo de proteção Kaspersky, qual é o motivo que levou a esse posicionamento americano?

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Óculos focalizando terminal de computador (Imagem: Kevin Ku/Unsplash)

OS EUA estão de olho em todas as empresas de tecnologia russas (Imagem: Kevin Ku/Unsplash)

Para EUA, softwares russos são caminhos viáveis de ataque na guerra híbrida

As desconfianças não param de crescer entre o governo norte-americano e empresas de origem russa. De forma não explicita, os EUA vêm apresentando argumentos para que seus parceiros evitem fazer o uso de softwares de russos. A nova “vilã” na mira da potência mundial é a conhecida empresa de segurança Kaspersky.

Instalado em muitas empresas e presente em dispositivos de diversos usuários pessoais, o software está entre as maiores e mais famosos conglomerados no ramo de proteção digital, com soluções para senhas, antivírus, proteção de servidores, entre outros.

Segundo publicação do The Indian Express, as informações passadas para empresas são parte de uma tentativa de proteção ampla dos EUA, visando preparar a infraestrutura crítica do país: água, telecomunicações e energia, contra possíveis ataques do Kremlin. 

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O presidente americano, Joe Biden, acredita que as sanções econômicas impostas à Rússia por iniciar o conflito da Ucrânia, criariam cenários de retaliação com ataques cibernéticos, sem especificar detalhes, o governo acredita que estamos vivendo a primeira guerra híbrida.

Histórico do criador do software Kaspersky joga contra a empresa russa

Um fator curioso que pode ampliar o nível de desconfiança americano é a origem e histórico do fundador da empresa de segurança. No passado, Eugene Kaspersky atuou como oficial de inteligência russo. A sede da empresa fica no coração de Moscou, o que também atrapalha a proteção da empresa no cenário atual.

Apesar das curiosidades, o governo dos EUA não se preocupa muito com a integridade individual de Eugene ou de sua empresa — pois obtêm muito lucro protegendo diversas corporações e usuários norte-americanos —, tirando o sono de Joe Biden está a possibilidade de coerção por parte do presidente Putin, podendo exigir a completa cooperação da empresa no conflito. 

Não seria um disparate acreditar que o presidente russo conseguisse tal manobra. Além disso, seria de extrema vantagem para Putin na cyberwar esse aliado, as maiores parcerias da Kaspersky estão listadas em seu site: Microsoft, IBM e Intel (excelentes alvos para ataques cibernéticos).

Não é a primeira vez que o software Kaspersky entra na lista de risco americana. No governo Donald Trump, foi feita uma retirada em massa dos produtos da empresa russa em agências ligadas a Casa Branca. Agora, novamente a Kaspersky entra na lista de equipamentos de comunicação e provedores de serviços considerados como ameaças à segurança nacional dos EUA.

Em nota, a empresa refutou as acusações.

Posicionamento da Kaspersky sobre o comunicado da Comissão Federal de Comunicações dos EUA em 25 de março de 2022:

“A Kaspersky está desapontada com a decisão da Comissão Federal de Comunicações (FCC) de proibir o uso dos subsídios federais para o segmento de telecomunicações em possíveis compras de produtos ou serviços da Kaspersky. Esta decisão não está baseada em qualquer avaliação técnica dos produtos Kaspersky – critério que a empresa defende continuamente – mas foi feita no âmbito político.

A Kaspersky reafirma que a decisão do governo dos EUA em 2017 de proibir entidades e contratantes federais de usar os produtos da Kaspersky é inconstitucional, baseado em alegações infundadas e sem qualquer evidência pública que comprove a suposta irregularidade da empresa.

Como não existem evidências para justificar as ações de 2017 e o anúncio do FCC refere-se especificamente à determinação do Departamento de Segurança Doméstica de 2017 para sustentar a recente decisão, a Kaspersky acredita que a extensão da proibição a entidades que recebem os subsídios de telecomunicações da FCC é igualmente infundada e uma reação ao contexto político – em vez de ser realizada uma avaliação da integridade dos produtos e serviços da Kaspersky.

A Kaspersky reassegura aos parceiros e clientes a qualidade e integridade de seus produtos, e continua à disposição para cooperar com as agências governamentais dos EUA no esclarecimento às preocupações da FCC e de qualquer outra agência reguladora.

A Kaspersky oferece produtos e serviços líderes de mercado a clientes ao redor do mundo para protegê-los de todos os tipos de ciberameaças e já deixou claro que não tem laços com nenhum governo, incluindo a Rússia. A empresa acredita que a transparência e a implementação contínua de medidas para demonstrar seu compromisso de longo prazo com a integridade e a confiança para com seus clientes são primordiais.

Kaspersky”

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Leandro Kovacs
Escrito por

Leandro Kovacs

Leandro Kovacs é jornalista e radialista. Trabalhou com edição audiovisual e foi gestor de programação em emissoras como TV Brasil e RPC, afiliada da Rede Globo no Paraná. Atuou como redator no Tecnoblog entre 2020 e 2022, escrevendo artigos explicativos sobre softwares, cibersegurança e jogos. Desde então, atua como editor no Grupo Gridmidia.