Criptomoedas podem provar o investimento russo para financiar ações ilegais na Europa

O que parecia ser apenas mais uma publicação polêmica sobre os destroços de uma escola no subúrbio de Kharkiv, na Ucrânia, pode ser uma evidência de atos ilegais da Rússia envolvendo a tecnologia por trás das criptomoedas. A foto divulgada mostrava um grande buraco de explosão e uma pilha de detritos em uma sala de aula. 

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Criptomoedas podem provar crimes de guerra da Rússia
(Imagem: Divulgação/Save The Children)

Ataques contra construções civis são proibidos, mesmo em conflitos

Segundo a legislação internacional, ataques intencionais a instalações educacionais são proibidos. Segundo o Starling Lab, um centro de pesquisa associado à Universidade de Stanford e à Fundação USC Shoah, a imagem pode ser considerada uma prova de crimes de guerra da Rússia contra a Ucrânia.

Em parceria a uma equipe de especialistas em direitos humanos e advogados especializados, Starling apresentou provas deste e de outros quatro ataques considerados como atos ilegais de guerra da Rússia na Ucrânia.

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Como resultado, o Tribunal Penal Internacional abriu uma investigação sobre as alegações que se seguiram desde fevereiro. 

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Envolvimento das criptomoedas nos crimes de guerra da Rússia

O dossiê apresentado por Starling não contém uma exposição típica. O grupo apresenta informações que, apesar de estarem publicamente disponíveis, foram verificadas através da tecnologia blockchain, a mesma por trás das criptomoedas. Este é o primeiro envio de evidências do tipo a qualquer tribunal. 

O diretor fundador da Starling, Jonathan Dota, acredita que o uso da tecnologia que envolve a “confiança” das criptomoedas é extremamente apropriado e poderoso neste cenário.

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Para ele, o objetivo desta investida é a construção de camadas de confiança adicionais. Para quem ainda não sabe, o blockchain é uma espécie de livro de dados distribuído em uma rede de computadores, dificultando a manipulação e adulteração de hackers. 

A alavancagem desta e outras tecnologias de criptografia consegue provar que as informações não foram manipuladas, assegurando que elas sejam mantidas e não desapareçam com a facilidade da exclusão de um post em rede social. 

A invasão da Ucrânia produziu montanhas de informações online valiosas que podem ser de interesse dos promotores, graças à presença massiva dos telefones celulares. Isso representa uma oportunidade e um desafio, dada a falta de protocolos para preservação de evidências digitais.

Crimes de guerra da Rússia

Apesar de Moscou ter negado visar civis, uma investigação feita pela CNN identificou 13 das 16 áreas em Kharkiv confirmadas como atingidas por mísseis russos na primeira semana de março eram escolas, prédios residenciais e lojas.

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A informação e a desinformação também dificultam classificar do que é real e está online e o que não é, à medida que criminosos tentam adulterar o registro histórico. 

A equipe de Dotan já havia aplicado a experiência em blockchain para preservar depoimentos sobre o Holocausto e documentar evidências de crimes de guerra no noroeste da Síria. Mas, rapidamente mudaram quando a guerra na Ucrânia eclodiu.

Em parceria com o Laboratório de Pesquisa Forense Digital do Atlantic Council e a Hala Systems, que desenvolve tecnologia para proteger civis, eles decidiram se concentrar em duas semanas de ataques a Kharkiv em março e analisar especificamente o que parecem ter sido ataques deliberados a escolas.

A submissão detalha cinco ataques a instalações educacionais que ocorreram entre 2 e 16 de março. A equipe começou a procurar informações de código aberto que pudessem ajudar os promotores a construir um caso onde militares russos cometeram crimes de guerra. 

Quando se depararam com uma mensagem ou tweet relevante do Telegram, os pesquisadores da Starling usaram a tecnologia de criptografia para capturar, armazenar e verificar cada evidência.

O objetivo é provar exatamente quando eles tinham a guarda da informação e criar um meio de demonstrar, que ela não foi alterada de forma alguma.

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