Google toma atitude contra funcionário: discordância saudável ou protecionismo?

Os funcionários que não concordarem ou que violarem as políticas da empresa devem tomar cuidado com uma possível penalidade. Esta foi a atitude tomada pela gigante das buscas, o Google, em relação a um engenheiro contratado pela empresa. 

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Google suspende funcionário que violou políticas da empresa
Google suspende funcionário que violou políticas da empresa. (Imagem: Pixabay)

O resumo da ópera

Conforme divulgado originalmente pelo Washington Post, após demonstrar preocupação quanto à efetiva sensibilidade do sistema de chatbot de inteligência artificial (IA), um engenheiro foi colocado em licença administrativa remunerada pelo Google. A alegação da empresa foi a de que o funcionário violou as políticas de confidencialidade da companhia. 

O “dedo-duro” em questão trata-se do engenheiro Blake Lemoine, que prestava serviços para a organização de IA Responsivo do Google. O funcionário havia iniciado testes do modelo LaMDA, que supostamente gera linguagem discriminatória ou discurso de ódio no chatbot do Google 

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Preocupação do engenheiro do Google

As preocupações do engenheiro do Google se referem ao surgimento de respostas convincentes que observou no sistema de IA sobre os direitos e a ética da robótica. Em meados de abril deste ano, ele chegou a compartilhar um documento com os executivos da companhia intitulado de “Is LaMDA Sentient?”. O artigo é composto por uma transcrição das conversas dele com a inteligência artificial do Google. 

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Após ter sido colocado em licença, Lemoine publicou a transcrição através de sua conta no Medium. Na ocasião, ele argumentou que, “é senciente porque tem sentimentos, emoções e experiência subjetiva”. 

Posicionamento do Google sobre a IA

Ainda em 2021, a gigante das buscas anunciou publicamente o LaMDA no Google I/O, no intuito de aprimorar a experiência dos assistentes de IA de conversação e tornar os diálogos mais naturais e menos robóticos. Destacando que a empresa já utiliza a tecnologia em questão como um modelo de idioma semelhante para o recurso Smart Compose do Gmail ou para consultas em mecanismos de pesquisa. 

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Na oportunidade, um porta-voz do Google disse que não existe nenhuma evidência a respeito da senciência do LaMDA. 

“Nossa equipe – incluindo especialistas em ética e tecnólogos – revisou as preocupações de Blake de acordo com nossos princípios de IA e o informou que as evidências não apoiam as alegações. Ele foi informado de que não havia evidências de que o LaMDA fosse senciente [e muitas evidências contra isso]”, declarou Brian Gabriel.

Posicionamento de especialistas sobre a IA do Google 

Ao Washington Post, a professora de linguística da Universidade de Washington, Emily M. Blender, concordou em entrevista sobre a inviabilidade de comparar respostas escritas convincentes com senciência. Ele reforçou que, com a tecnologia atual, existem máquinas capazes de gerar palavras sem pensar. Porém, ainda não foi ensinado como cessar a imaginação por trás delas. 

Já um proeminente especialista em ética em IA demitido pelo Google em 2020, Timnit Gebru, disse que o debate sobre a senciência da IA pode desviar o foco de discussões éticas mais relevantes em torno do uso da inteligência artificial. Neste sentido, o engenheiro do Google disse que, apesar das preocupações, pretende seguir o trabalho em IA no futuro.

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